segunda-feira, 16 de novembro de 2009

1989: o marco da redemocratização do Brasil



No sentido horário: Ulysses (com Rubens Bueno), Collor, Mário Covas (abraçando Darcy Deitos), Afif, Brizola e Zamir José Teixeira. Presidenciáveis em Campo Mourão.

Há 20 anos, os brasileiros estabeleciam o marco da redemocratização do Brasil, depois de um jejum de quase 30 anos, sem eleição para a presidência da República. A última realizada em 1960 levou Jânio Quadros para o Palácio do Planalto.
22 candidatos disputaram a primeira eleição presidencial na chamada “Nova República”. O primeiro turno foi realizado numa quarta-feira, 15 de novembro de 1989, data que o Brasil comemorava o centenário da proclamação da República. Foi certamente uma das eleições mais divertidas da história. Vários políticos respeitados, alguns desconhecidos e muitas figuras. Jingles inesquecíveis, debates editados decidindo o segundo turno, e a vitória de um presidente que cumpriu pouco mais da metade do seu mandato. Até Silvio Santos teve uma curta candidatura, impugnada pelo TSE.
O primeiro turno definiu a disputa entre Fernando Collor e Luís Inácio Lula da Silva. Collor obteve 20.607.936 votos (30,57%) e Lula 11.619.816 votos (17,18%). O segundo turno foi realizado em 17 de dezembro, e Collor venceu o pleito.
Dos vinte e dois candidatos, sete estiveram em Campo Mourão. Ulysses Guimarães foi o primeiro, em 29 de setembro. Era um sábado, de forte calor. Ulysses foi recebido com uma imensa carreata. O comício foi
realizado na frente da Casa da Cultura e reuniu centenas de pessoas. No palanque o prefeito da época, Augustinho Vecchi e os secretários de Estado, Rubens Bueno e Roberto Requião e dezenas de prefeitos da
região. No discurso, Ulysses citou que se fosse eleito iria concluir as obras da Estrada Boiadeira. Foi um dos poucos candidatos que citou uma reivindicação da região. O prefeito Augustinho Vecchi fez questão
de receber todos os candidatos, ou recepcionando no aeroporto ou indo ao local do comício.
O segundo presidenciável a visitar Campo Mourão, Fernando Collor de Mello contava com o apoio da então deputada estadual Amélia de Almeida Hruschka. Collor visitou Campo Mourão em 13 de outubro. Na carreata elogiou o modesto comitê eleitoral, localizado na Av. Capitão Índio Bandeira, nas proximidades da subestação da Copel e fez o comício na Praça Alvorada, no Lar Paraná, com meia hora de antecedência. No palanque abonou a ficha de filiação do vereador Manoel Pereira Martins, então filiado ao PMDB. Quando terminou o discurso pulou no meio dos presentes e seguiu a pé até o trevo do Lar Paraná, onde embarcou num helicóptero.
Na sequência veio o senador Mário Covas, apoiado pelo deputado federal Darcy Deitos. O comício foi realizado no Lar Paraná. Afif Domingos visitou Campo Mourão num domingo e fez seu comício na Vila Urupês. A campanha de Afif era organizada pelo vereador José Carlos Teodoro de Oliveira.
Figura mitológica da política, Leonel Brizola foi também recebido com uma carreata gigantesca. O comício foi realizado na Praça Getúlio Vargas. No palanque Jaime Lerner, então prefeito de Curitiba e os deputados estaduais Rafael Greca de Macedo e Namir Piacentini.
Enquanto discursava, um grupo de jovens da UDR vaiou o candidato presidencial. Rapidamente Brizola devolveu a provocação: “vocês estão me vaiando, por que o que estou dizendo, está ardendo em vocês”. Ronaldo Caiado e Zamir José Teixeira fizeram seus comícios no centro da cidade.
Figura folclórica na política mourãoense, o ex-vereador Zamir Teixeira disputou a presidência pelo PCN (Partido Comunitário Nacional). No Paraná não obteve mais que 8 mil votos.
Nas eleições presidenciais de 1994, 1998, 2002 e 2006, Campo Mourão receberia somente a visita de Fernando Henrique Cardoso em 1994.
As eleições presidenciais de 1989 foram marcadas pela forte ideologia e dificilmente se repetirá no Brasil. As eleições seguintes seriam marcadas com a centralização ideológica entre o PT e PSDB.
A maior polêmica daquela eleição foi a edição pelo jornal Nacional do último debate, realizado no dia 15 de dezembro. A reportagem desfavoreceu o candidato petista, induzindo a pequena margem de diferença a beneficiar Collor de Mello.
A trajetória do presidente eleito todos conhecem. Sua passagem pela presidência foi marcada por um festival de erros e de contradições. Assistindo, 20 anos depois, o último debate, Collor fez tudo ao contrário daquilo que afirmou que não faria. O mal sucedido Plano Collor foi o golpe mortal contra a classe média, que havia o elegido.
Depois, vieram às desavenças com o empresariado nacional e a falta de diálogo com o Congresso Nacional. A própria Rede Globo, que ajudou eleger Collor, o derrubou, incentivando o surgimento do movimento “caras pintadas”, que serviu de trampolim para vários políticos. A corrupção que assolou o Brasil na era FHC e Lula deveria também ser combatida por este movimento de estudantes. Infelizmente, as organizações estudantis foram domesticadas com a ascensão de Lula na presidência da República.
Nestas duas décadas do restabelecimento da redemocratização houve um fortalecimento do sistema partidário, simbolizando assim, significativo avanço do sistema democrático brasileiro.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A queda do muro da vergonha e o triunfo da liberdade


Nesta semana comemoramos os 20 anos da queda do muro de Berlim. Sem dúvida, um dos fatos mais marcantes da historia contemporânea. Uma série de eventos está sendo organizados naquele país para lembrar o histórico acontecimento.

Erguido em 1961, durante a guerra fria, para conter a grande migração de berlinenses do lado oriental para o ocidental, o governo da Alemanha Oriental resolveu construir um muro dividindo os dois setores. Estabeleceu também a proibição da passagem das pessoas para o setor ocidental da cidade.
No dia 26 de junho de 1963, o presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, visitou Berlim e o muro da “vergonha”.
Kennedy havia preparado um discurso, mas ao ver o vazio do lado da Berlim Ocidental e o que havia por trás dele, JFK deixou de lado o discurso. Uma enorme multidão aguardava-o em frente à Prefeitura de Berlim Ocidental. No lugar do discurso que havia preparado, vieram palavras que entrariam para a história.
“Há dois mil anos, os romanos ostentavam seu orgulho ao dizer civis Romanus sum (sou um cidadão de Roma). Hoje no mundo da liberdade, é preciso falar com orgulho: Ich Bin ein Berliner”. “Eu sou um berlinense”.
Mais adiante, Kennedy afirmava que “a liberdade é indivisível, e quando um homem é escravizado, ninguém é livre. Quando todos formos livres, então poderemos vislumbrar o dia em que esta cidade será unificada e este país e este grande Continente da Europa viverão num mundo pacífico e confiante. Quando esse dia finalmente chegar – e chegará – o povo de Berlim Ocidental poderá legitimamente mostrar-se orgulhoso de ter estado na linha da frente durante quase duas décadas. Todos os homens livres, onde quer que vivam, são cidadãos de Berlim, e, por isso, enquanto homem livre, tenho orgulhoso em dizer: Ich Bin ein Berliner.”
Todos os anos, as históricas palavras de Kennedy são repetidas e uma nova multidão, emocionada, ouve o clamor de liberdade.
Historiadores apontam o discurso de Kennedy semelhante ao de Abraham Lincoln, feito em Gettusburg. Lincoln falou que os “sacrifícios dos mortos inspirariam um novo nascimento da liberdade”.
Kennedy, depois desta visita, teria mais cinco meses de vida, seria morto em novembro. Outro presidente dos Estados Unidos em 12 de junho de 1987 proferiu outro discurso histórico. Ronald Reagan, em frente ao portão de Brandenburgo, desafiou o então secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, Mikhail Gorbachev, com uma frase célebre: "Derrube este muro, mister Gorbachev".
Muitos morreram ao tentar atravessar o muro, os números são imprecisos. O último foi Chris Guefroy, morto em fevereiro de 1989.
O muro veio abaixo em 1989. Hoje podemos afirmar com a sua derrubada, outras cercanias no mundo também foram colocadas ao chão. Apesar de que outras divisões também necessitam ser derrubadas. O que aconteceu em novembro de 1989 foi uma espécie de efeito dominó: o “triunfo da democracia liberal do livre mercado sobre seu último rival ideológico, o comunismo”.
“Poucas vezes é possível testemunhar um acontecimento e ter certeza de que a História, com “h” maiúsculo está sendo escrita diante de seus olhos. Este certamente é um desses momentos”, dizia o repórter Silio Boccanera, do Jornal Nacional, na cobertura da queda do Muro de Berlim. Dias depois, os brasileiros iriam derrubar outro muro: ir às urnas para eleger o primeiro presidente da República, depois de um jejum de quase 30 anos. O último ano da década de 1980 foi de transformações.
Naquele 9 de novembro de 1989 os alemães descobriram um mundo que lhes fora proibido por quase 30 anos. E a liberdade e a democracia puderam dar mais um passo.

*Jair Elias dos Santos Júnior, é licenciado em História.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Gustavo Fruet em Campo Mourão


O deputado federal Gustavo Fruet estará sexta-feira (6) em Campo Mourão. Às 20 horas, Fruet proferirá palestra na Associação Comercial e Industrial (Acicam) com o tema “Conjuntura e Análise do Cenário Nacional”. O convite foi feito pelo Rotary Campo Mourão Lago Azul.
Gustavo Fruet é advogado, mestre e doutor em Direito. Em 1996, foi eleito vereador em Curitiba pelo PMDB, partido ao qual foi filiado de 1991 até setembro de 2004. Dois anos depois, elegeu-se deputado federal, após uma campanha curta, na qual assumiu o lugar do pai, falecido a poucos dias da eleição. Foi o segundo candidato mais votado em Curitiba, com 45.929 votos.
Em 2002, foi eleito para o segundo mandato de deputado federal, com 105.166 votos. No ano de 2006, reelegeu-se com 210.674 votos, que fizeram dele o deputado federal mais votado do Paraná.
No primeiro mandato, Fruet manteve uma atuação independente, pautada pela orientação social. Foi um dos deputados mais assíduos e, por sua atuação, foi incluído pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) no chamado “grupo em ascensão”, formado por parlamentares que em breve podem integrar a elite parlamentar.
Desde 2003 Gustavo Fruet faz parte da lista dos "100 Cabeças do Congresso", elaborada pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). O levantamento relaciona os deputados e senadores mais influentes do Poder Legislativo. O Diap classifica Fruet como um parlamentar articulador, integrante "da nova geração política, que coloca o interesse público e nacional acima dos interesses pessoais e/ou provincianos”.
Numa pesquisa realizada pelo site Congresso em Foco, foi apontado por jornalistas que cobrem o Congresso Nacional como um dos melhores parlamentares federais. Levantamento realizado pelo mesmo site mostra que Gustavo Fruet é o parlamentar paranaense mais assíduo da Câmara.
No fim de 2006, recebeu o Prêmio Congresso em Foco, entregue pelo site homônimo aos parlamentares apontados como os de melhor desempenho no Congresso Nacional. A escolha foi feita por internautas, a partir de uma relação elaborada por jornalistas da área política.
Em 2007, foi novamente apontado como um dos cinco melhores deputados federais, na segunda edição do Prêmio Congresso em Foco. No ano de 2008, jornalistas ouvidos na primeira etapa do Prêmio Congresso em Foco apontaram Gustavo Fruet como o melhor deputado federal. O deputado também ficou, novamente, entre os mais votados pelos internautas.