No sentido horário: Ulysses (com Rubens Bueno), Collor, Mário Covas (abraçando Darcy Deitos), Afif, Brizola e Zamir José Teixeira. Presidenciáveis em Campo Mourão.
Há 20 anos, os brasileiros estabeleciam o marco da redemocratização do Brasil, depois de um jejum de quase 30 anos, sem eleição para a presidência da República. A última realizada em 1960 levou Jânio Quadros para o Palácio do Planalto.
22 candidatos disputaram a primeira eleição presidencial na chamada “Nova República”. O primeiro turno foi realizado numa quarta-feira, 15 de novembro de 1989, data que o Brasil comemorava o centenário da proclamação da República. Foi certamente uma das eleições mais divertidas da história. Vários políticos respeitados, alguns desconhecidos e muitas figuras. Jingles inesquecíveis, debates editados decidindo o segundo turno, e a vitória de um presidente que cumpriu pouco mais da metade do seu mandato. Até Silvio Santos teve uma curta candidatura, impugnada pelo TSE.
O primeiro turno definiu a disputa entre Fernando Collor e Luís Inácio Lula da Silva. Collor obteve 20.607.936 votos (30,57%) e Lula 11.619.816 votos (17,18%). O segundo turno foi realizado em 17 de dezembro, e Collor venceu o pleito.
Dos vinte e dois candidatos, sete estiveram em Campo Mourão. Ulysses Guimarães foi o primeiro, em 29 de setembro. Era um sábado, de forte calor. Ulysses foi recebido com uma imensa carreata. O comício foi
realizado na frente da Casa da Cultura e reuniu centenas de pessoas. No palanque o prefeito da época, Augustinho Vecchi e os secretários de Estado, Rubens Bueno e Roberto Requião e dezenas de prefeitos da
região. No discurso, Ulysses citou que se fosse eleito iria concluir as obras da Estrada Boiadeira. Foi um dos poucos candidatos que citou uma reivindicação da região. O prefeito Augustinho Vecchi fez questão
de receber todos os candidatos, ou recepcionando no aeroporto ou indo ao local do comício.
O segundo presidenciável a visitar Campo Mourão, Fernando Collor de Mello contava com o apoio da então deputada estadual Amélia de Almeida Hruschka. Collor visitou Campo Mourão em 13 de outubro. Na carreata elogiou o modesto comitê eleitoral, localizado na Av. Capitão Índio Bandeira, nas proximidades da subestação da Copel e fez o comício na Praça Alvorada, no Lar Paraná, com meia hora de antecedência. No palanque abonou a ficha de filiação do vereador Manoel Pereira Martins, então filiado ao PMDB. Quando terminou o discurso pulou no meio dos presentes e seguiu a pé até o trevo do Lar Paraná, onde embarcou num helicóptero.
Na sequência veio o senador Mário Covas, apoiado pelo deputado federal Darcy Deitos. O comício foi realizado no Lar Paraná. Afif Domingos visitou Campo Mourão num domingo e fez seu comício na Vila Urupês. A campanha de Afif era organizada pelo vereador José Carlos Teodoro de Oliveira.
Figura mitológica da política, Leonel Brizola foi também recebido com uma carreata gigantesca. O comício foi realizado na Praça Getúlio Vargas. No palanque Jaime Lerner, então prefeito de Curitiba e os deputados estaduais Rafael Greca de Macedo e Namir Piacentini.
Enquanto discursava, um grupo de jovens da UDR vaiou o candidato presidencial. Rapidamente Brizola devolveu a provocação: “vocês estão me vaiando, por que o que estou dizendo, está ardendo em vocês”. Ronaldo Caiado e Zamir José Teixeira fizeram seus comícios no centro da cidade.
Figura folclórica na política mourãoense, o ex-vereador Zamir Teixeira disputou a presidência pelo PCN (Partido Comunitário Nacional). No Paraná não obteve mais que 8 mil votos.
Nas eleições presidenciais de 1994, 1998, 2002 e 2006, Campo Mourão receberia somente a visita de Fernando Henrique Cardoso em 1994.
As eleições presidenciais de 1989 foram marcadas pela forte ideologia e dificilmente se repetirá no Brasil. As eleições seguintes seriam marcadas com a centralização ideológica entre o PT e PSDB.
A maior polêmica daquela eleição foi a edição pelo jornal Nacional do último debate, realizado no dia 15 de dezembro. A reportagem desfavoreceu o candidato petista, induzindo a pequena margem de diferença a beneficiar Collor de Mello.
A trajetória do presidente eleito todos conhecem. Sua passagem pela presidência foi marcada por um festival de erros e de contradições. Assistindo, 20 anos depois, o último debate, Collor fez tudo ao contrário daquilo que afirmou que não faria. O mal sucedido Plano Collor foi o golpe mortal contra a classe média, que havia o elegido.
Depois, vieram às desavenças com o empresariado nacional e a falta de diálogo com o Congresso Nacional. A própria Rede Globo, que ajudou eleger Collor, o derrubou, incentivando o surgimento do movimento “caras pintadas”, que serviu de trampolim para vários políticos. A corrupção que assolou o Brasil na era FHC e Lula deveria também ser combatida por este movimento de estudantes. Infelizmente, as organizações estudantis foram domesticadas com a ascensão de Lula na presidência da República.
Nestas duas décadas do restabelecimento da redemocratização houve um fortalecimento do sistema partidário, simbolizando assim, significativo avanço do sistema democrático brasileiro.



