segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A queda do muro da vergonha e o triunfo da liberdade


Nesta semana comemoramos os 20 anos da queda do muro de Berlim. Sem dúvida, um dos fatos mais marcantes da historia contemporânea. Uma série de eventos está sendo organizados naquele país para lembrar o histórico acontecimento.

Erguido em 1961, durante a guerra fria, para conter a grande migração de berlinenses do lado oriental para o ocidental, o governo da Alemanha Oriental resolveu construir um muro dividindo os dois setores. Estabeleceu também a proibição da passagem das pessoas para o setor ocidental da cidade.
No dia 26 de junho de 1963, o presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, visitou Berlim e o muro da “vergonha”.
Kennedy havia preparado um discurso, mas ao ver o vazio do lado da Berlim Ocidental e o que havia por trás dele, JFK deixou de lado o discurso. Uma enorme multidão aguardava-o em frente à Prefeitura de Berlim Ocidental. No lugar do discurso que havia preparado, vieram palavras que entrariam para a história.
“Há dois mil anos, os romanos ostentavam seu orgulho ao dizer civis Romanus sum (sou um cidadão de Roma). Hoje no mundo da liberdade, é preciso falar com orgulho: Ich Bin ein Berliner”. “Eu sou um berlinense”.
Mais adiante, Kennedy afirmava que “a liberdade é indivisível, e quando um homem é escravizado, ninguém é livre. Quando todos formos livres, então poderemos vislumbrar o dia em que esta cidade será unificada e este país e este grande Continente da Europa viverão num mundo pacífico e confiante. Quando esse dia finalmente chegar – e chegará – o povo de Berlim Ocidental poderá legitimamente mostrar-se orgulhoso de ter estado na linha da frente durante quase duas décadas. Todos os homens livres, onde quer que vivam, são cidadãos de Berlim, e, por isso, enquanto homem livre, tenho orgulhoso em dizer: Ich Bin ein Berliner.”
Todos os anos, as históricas palavras de Kennedy são repetidas e uma nova multidão, emocionada, ouve o clamor de liberdade.
Historiadores apontam o discurso de Kennedy semelhante ao de Abraham Lincoln, feito em Gettusburg. Lincoln falou que os “sacrifícios dos mortos inspirariam um novo nascimento da liberdade”.
Kennedy, depois desta visita, teria mais cinco meses de vida, seria morto em novembro. Outro presidente dos Estados Unidos em 12 de junho de 1987 proferiu outro discurso histórico. Ronald Reagan, em frente ao portão de Brandenburgo, desafiou o então secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, Mikhail Gorbachev, com uma frase célebre: "Derrube este muro, mister Gorbachev".
Muitos morreram ao tentar atravessar o muro, os números são imprecisos. O último foi Chris Guefroy, morto em fevereiro de 1989.
O muro veio abaixo em 1989. Hoje podemos afirmar com a sua derrubada, outras cercanias no mundo também foram colocadas ao chão. Apesar de que outras divisões também necessitam ser derrubadas. O que aconteceu em novembro de 1989 foi uma espécie de efeito dominó: o “triunfo da democracia liberal do livre mercado sobre seu último rival ideológico, o comunismo”.
“Poucas vezes é possível testemunhar um acontecimento e ter certeza de que a História, com “h” maiúsculo está sendo escrita diante de seus olhos. Este certamente é um desses momentos”, dizia o repórter Silio Boccanera, do Jornal Nacional, na cobertura da queda do Muro de Berlim. Dias depois, os brasileiros iriam derrubar outro muro: ir às urnas para eleger o primeiro presidente da República, depois de um jejum de quase 30 anos. O último ano da década de 1980 foi de transformações.
Naquele 9 de novembro de 1989 os alemães descobriram um mundo que lhes fora proibido por quase 30 anos. E a liberdade e a democracia puderam dar mais um passo.

*Jair Elias dos Santos Júnior, é licenciado em História.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Gustavo Fruet em Campo Mourão


O deputado federal Gustavo Fruet estará sexta-feira (6) em Campo Mourão. Às 20 horas, Fruet proferirá palestra na Associação Comercial e Industrial (Acicam) com o tema “Conjuntura e Análise do Cenário Nacional”. O convite foi feito pelo Rotary Campo Mourão Lago Azul.
Gustavo Fruet é advogado, mestre e doutor em Direito. Em 1996, foi eleito vereador em Curitiba pelo PMDB, partido ao qual foi filiado de 1991 até setembro de 2004. Dois anos depois, elegeu-se deputado federal, após uma campanha curta, na qual assumiu o lugar do pai, falecido a poucos dias da eleição. Foi o segundo candidato mais votado em Curitiba, com 45.929 votos.
Em 2002, foi eleito para o segundo mandato de deputado federal, com 105.166 votos. No ano de 2006, reelegeu-se com 210.674 votos, que fizeram dele o deputado federal mais votado do Paraná.
No primeiro mandato, Fruet manteve uma atuação independente, pautada pela orientação social. Foi um dos deputados mais assíduos e, por sua atuação, foi incluído pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) no chamado “grupo em ascensão”, formado por parlamentares que em breve podem integrar a elite parlamentar.
Desde 2003 Gustavo Fruet faz parte da lista dos "100 Cabeças do Congresso", elaborada pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). O levantamento relaciona os deputados e senadores mais influentes do Poder Legislativo. O Diap classifica Fruet como um parlamentar articulador, integrante "da nova geração política, que coloca o interesse público e nacional acima dos interesses pessoais e/ou provincianos”.
Numa pesquisa realizada pelo site Congresso em Foco, foi apontado por jornalistas que cobrem o Congresso Nacional como um dos melhores parlamentares federais. Levantamento realizado pelo mesmo site mostra que Gustavo Fruet é o parlamentar paranaense mais assíduo da Câmara.
No fim de 2006, recebeu o Prêmio Congresso em Foco, entregue pelo site homônimo aos parlamentares apontados como os de melhor desempenho no Congresso Nacional. A escolha foi feita por internautas, a partir de uma relação elaborada por jornalistas da área política.
Em 2007, foi novamente apontado como um dos cinco melhores deputados federais, na segunda edição do Prêmio Congresso em Foco. No ano de 2008, jornalistas ouvidos na primeira etapa do Prêmio Congresso em Foco apontaram Gustavo Fruet como o melhor deputado federal. O deputado também ficou, novamente, entre os mais votados pelos internautas.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Os Presidentes Imortais

Fernando Collor é o mais novo membro da Academia Alagoana de Letras (AAL). A posse ocorreu na última sexta-feira. Ele passou a ocupar a cadeira de número 20, que anteriormente pertenceu ao médico e educador Ib Gatto Falcão. No discurso de posse, Collor citou que “essa foi uma das homenagens mais generosas que já recebi em minha vida e me estimula a produzir novos trabalhos. Quanto ao livro literário, que todos me perguntam, ele virá na hora certa”.
Collor não é a única exceção dos políticos que tentaram se imortalizar nas academias. No estatuto da Academia Brasileira de Letras reza que seu principio central é a defesa da "cultura da língua nacional". Composta por quarenta membros efetivos e perpétuos, conhecidos como "imortais", escolhidos entre os cidadãos brasileiros que tenham publicado obras de reconhecido mérito ou livros de valor literário, e vinte sócios correspondentes estrangeiros.
Getúlio Vargas foi eleito em 7 de agosto de 1941, membro da ABL para a Cadeira 37, sucedendo a Alcântara Machado. Ele tomou posse em 29 de dezembro de 1943. Antes da posse, Vargas deixou por duas vezes o expediente do Palácio do Catete para visitar a biblioteca da entidade. O próprio Getúlio manifestou seu desejo de ingressar na Academia. No seu discurso de posse, Vargas propõe a simbiose necessária entre os homens de pensamento (intelectuais) e os de ação (políticos), para a tarefa de emancipação cultural. Vargas não tinha obra literária, mas, graças a uma edição de seus discursos, ele foi aceito.
Ao lançar o primeiro volume de sua biografia, Juscelino Kubitschek de Oliveira pensou em concorrer a uma vaga na Academia Brasileira de Letras. Ele já havia sido eleito para a academia mineira, e estava então credenciado para o título de imortal. Se eleito, JK ia fazer da ABL uma tribuna para a redemocratização do país. Para isso, ele contou com o apoio do acadêmico Jorge Amado. Mas JK teve que amargar a primeira derrota de sua vida numa votação. Primeira e última.
Apesar das pressões, sondagens indicavam que poderia ganhar. No dia 23 de outubro de 1975, porém, Juscelino perdeu a disputa para o escritor goiano Bernardo Élis, por vinte votos a dezoito. Recebeu a notícia na casa da filha Maria Estela, onde havia uma festa preparada. "Vamos virar essa página", disse ele, e saiu dançando com a filha.
Depois comentaria: "Me venderam por um bloco de cimento". E anotou em seu diário: "Estou pulverizado por dentro. Pus muita fé na minha eleição. Desejava-a ardentemente, o prestígio que compensasse os imensos dissabores de 1964. [...] Nunca imaginei que a derrota pudesse me ferir tanto".
Os bastidores da eleição foram relevados tempos depois. Em jogo estava o pedido de financiamento para a construção de um edifício ao lado da sua sede, no centro do Rio. A eleição de JK iria atrapalhar os planos da ABL. Até Ney Braga, ministro da Educação, teve participação neste episódio, pressionando os imortais a não votarem no ex-presidente.
José Sarney ingressou na Academia Brasileira de Letras em 1980. Sexto ocupante da Cadeira nº 38, eleito em 17 de julho de 1980, na sucessão de José Américo de Almeida e empossado em 6 de novembro de 1980. Também é membro da Academia Maranhense de Letras.
A eleição de Sarney, 20 anos depois, foi satirizada pelo ex-presidente João Figueiredo. O ex-presidente achava incorreto Sarney concorrer, por estar exercendo na época a presidência do PDS (Partido Democrático Social). “Sarney, Sarney, deixa isso de lado. Você só tem aquele livro do negócio dos marimbondos e dois ou três sonetos” insistiu Figueiredo na época. Mesmo assim, Sarney manteve a candidatura. Figueiredo compareceu a posse, considerada por ele próprio um “dissabor”. Hoje, Sarney é o mais antigo acadêmico.
Fernando Henrique Cardoso, mesmo com uma vasta bibliografia de obras de sociologia, ainda não tentou ou não quis ainda concorrer uma vaga na ABL. Talvez até precavido, diante de uma provável derrota, pois vários membros da ABL já se manifestaram contrários a sua candidatura.
O ingresso de políticos nas academias de letras, com bibliografia resumida, reforça a simbiose proposta por Vargas da intelectualidade e o poder. E de intelectualidade que o Brasil precisa.

* Jair Elias dos Santos Júnior, licenciado em História.